Mais uma vez neste labirinto sem portas, cem monstros. Um caminho de janelas fechadas, de cantos imundos por teias de lembranças. O cheiro acre me irritando as narinas e sigo, às pressas, sem conseguir respirar. Quero sair daqui. Eu não deveria ter entrado novamente.
Cansada de olhos de enfado me olhando, da companhia em solidão, do desespero do silêncio dos lábios que não têm nada a dizer e por esse nada, calam-se também os olhos e as mãos, num aviso de um despertar sem promessas.
Queria sair daqui. Perdi-me mais uma vez neste labirinto de caminhos mutantes, de moribundos que se rastejam à procura de uma gota do infinito. Andam como eu, perdidos por terem acreditado que ainda poderia ser.
Com medo dos sentimentos fora de hora, da mão tocando o vazio, das palavras sem retorno, dos seus olhos fechados.
Cada passo me dói por sua solidez, por sua ingratidão, por não haver luz, nem sonhos, mesmo que sejam aqueles que páram na metade do caminho e nos atormentam por não terem chegado ao fim. Sinto as paredes se fechando sobre mim, num asqueroso abraço de despedida. Cada passo é um pouco de mim que fica pra trás. Queria sair daqui.
Quanto resta daquela garotinha que entrou aqui pela primeira vez? Suas meias coloridas já não lhe servem mais, seu mundo colorido já não lhe serve mais. Mas de noite, ela ainda se esconde de medo do escuro e reza baixinho, pedindo perdão por ter deixado de acreditar tão cedo em suas próprias orações.
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