Nove corpos que se entrelaçam no escuro. Não se sabe quem é a dona daquele pé ou quem perdeu aquela frase que percorre os rostos e provoca gargalhadas. No meio, uma bailarina conta como defendeu sua honra empunhando advérbios de negação e lágrimas. Há ainda a dona do sorriso luminoso que canta ao celular uma canção caipira lembrada aos gritos. E há aquelas que esperam. Uma próxima noite, o amor que ainda não veio, aquele que ainda não voltou, um filho. E brincamos de nos perguntar, de segredar nossos segredos já tão públicos, de confessar nossos delitos cometidos em arroubos de indignidade. Aos poucos e com panelas de brigadeiro, aprendemos a nos perdoar diariamente por tanto macular nosso sexo.
Vocês são lindas em seus rostos laranjas pintados por chama de vela. Não parem de sorrir, meninas. Há qualquer coisa bela demais na escuridão.
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